SOBRE A BELICIO
Acreditamos que o futuro da moda é sustentável porque ele precisa ser humano. A Belicio nasceu de um desejo profundo de vestir pessoas, mas, acima de tudo, de compreender suas necessidades e o impacto do consumo na sociedade. Esse propósito não surgiu do nada; ele foi costurado ao longo de uma vida dedicada à invenção.
Minha história começa em Itanhomi, uma cidade de 10 mil habitantes onde o "modo de viver" era contemplativo e a roupa não tinha pressa. Cresci em uma família de empreendedores: meu avô era sapateiro e minha avó costurava com afeto para seus 11 filhos. Minhas primeiras memórias de design envolvem carrinhos feitos de caixas de sapato e o som do pedal da máquina de costura, que eu usava como gangorra. Quando não estava ali, estava no chão, colhendo retalhos para vestir bonecas, primas ou até os vegetais da cozinha.
Aos 12 anos, a moda se tornou meu propósito. Como um bom pisciano, eu precisava de um sonho para guiar meus passos. Tornei-me um investigador da moda em um lugar onde as camisas xadrez e o baralho na praça ditavam o ritmo. Como meu pai ainda não aceitava a ideia de um filho estilista, inventei moda no escuro: desenhei escondido no terraço, na escola e em madrugadas silenciosas. Aos 14, eu já liderava um "ateliê" improvisado, onde amigos coloriam meus traços enquanto eu focava na criação desenfreada.
A virada veio com o suor do trabalho no estoque da sapataria da família. Com o primeiro dinheiro que juntei, comprei a minha máquina de costura que carrego até hoje, batizada em homenagem a uma personagem resistente. Meu primeiro editorial foi feito com 5 metros de cetim, tachas, correntes e uma câmera emprestada entre as pedras de Itanhomi. Ali, o sonho se tornou palpável.
A jornada passou pela faculdade de moda em Belo Horizonte, onde troquei a calmaria do interior pelo choque da metrópole. Explorei o figurino, o teatro e os museus, observando desde a pressa das pessoas até o voo dos pombos. Enfrentei o período mais difícil da minha vida em um processo de reabilitação, mas foi lá que reafirmei meu destino: quando perguntado por que eu queria sair, respondi que precisava inventar moda. E assim o fiz.
Após experiências internacionais, especializações em consultoria de imagem e estamparia, e o retorno às raízes para transformar meu antigo curso de costura em ateliê, a BELÍCIO ganhou o mundo. Das coleções Somos Todos Terrestres e Cansei de Rosa ao desfile no MCM, cada passo foi um investimento na alfaiataria brasileira feita da maneira mais sustentável possível.
Hoje, operamos no Mercado Novo, onde celebramos coleções como Brisa, Conquista e A Vida Inventada, esta última apresentada no Grande Teatro do Palácio das Artes. A Belicio é a prova de que o sonho de um menino que desenhava escondido no interior pode ocupar as passarelas e as ruas de Paris, valorizando a beleza de cada indivíduo de forma singular e o mundo de forma consciente.