O que o futuro espera em 2026?
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Segue o baile das tendências
Grandes devotas e devotos da moda e das roupas, vocês sabem o que nos torna fashionistas?
Ser fashionista é amar a moda, as pessoas e, muitas vezes, o mundo. Esse amor costuma se traduzir pela forma de vestir, pela escolha consciente das roupas como linguagem. Mas também pode acontecer o oposto. Talvez você não ame a moda, é justamente essa recusa seja a sua tendência.
Mas, afinal, o que é tendência?
Tendência é comportamento traduzido em material. É o desejo do momento. Consciente ou inconscientemente, todos nós iremos consumi-la. As tendências surgem do meio social. Imagine uma pirâmide: no topo, a classe AA; na base, a população em geral. Historicamente, as tendências nasciam na nobreza e, quando chegavam à base, o topo já havia mudado de direção.
Esse movimento ainda existe, mas hoje vivemos algo novo: o surgimento de tendências vindas da massa. Movimentos culturais coletivos passam a gerar estéticas inesperadas, irreverentes e potentes. Um dos maiores exemplos é a streetwear. Os desfiles das grandes semanas de moda sempre foram inacessíveis, inclusive para a maioria dos fashionistas. Com as redes sociais, pessoas do mundo inteiro começaram a circular pelos arredores desses eventos, vestindo looks espontâneos, cheios de identidade, que chamaram a atenção da indústria. Assim nasceu não apenas um estilo, mas uma cultura, um novo jeito de se vestir.
Em paralelo, surgem as trends. Elas são passageiras, aceleradas, tentam impulsionar rapidamente uma tendência e aparecem o tempo todo, principalmente nas redes sociais. Hoje, nos comportamos como as próprias plataformas se comportam, e é dali que nasce grande parte do que vestimos. Os chamados “core”, ex.:Barbie-core, Poeta-core, Royal-core, são exemplos claros desse fenômeno.
Por isso, é importante diferenciar. Tendência não é algo efêmero. Tendência é uma predisposição de longa duração, formada por movimentos comportamentais, estéticos e de consumo. No fundo, estamos falando sobre o tempo e sobre a nossa relação com ele, enquanto sociedade e enquanto indivíduos.
Um bom exercício é observar padrões. Por que tantas mulheres gostam de estampa de onça? Por que consultoras de imagem recorrem tanto ao blazer? Por que tantos homens escolhem a camiseta preta como peça essencial? Essas repetições revelam códigos culturais, desejos de poder, praticidade, pertencimento e identidade.
Ao perceber os macro movimentos e compreender para quem eles fazem sentido, conseguimos avaliar se determinada tendência se encaixa no nosso contexto. A partir disso, surgem duas perguntas fundamentais:
Essa tendência conversa com as peças que já existem no meu guarda-roupa?
Eu sustento essa escolha no médio prazo?
Quando olhamos para além da moda, os sinais ficam ainda mais claros. As tendências de 2026 nascem como resposta direta ao cansaço emocional, à hiper aceleração e à instabilidade do mundo contemporâneo. Os relatórios convergem ao mostrar que não se trata de modismos, mas de um ajuste profundo da sensibilidade coletiva. Esse refúgio afetivo leva a busca de micro momentos de alegria, e aponta para a valorização dos pequenos prazeres como forma de equilíbrio emocional.
O Pinterest traduz esse movimento em estéticas que celebram o feito à mão, o imperfeito e o sensorial, reforçando uma busca por identidade construída no detalhe, ao contrário da padronização. Agora a valorização remete à ancestralidade e vínculos duradouros como formas de ancoragem em um mundo volátil. No audiovisual e na publicidade, emerge uma linguagem mais autoral, com ritmo mais lento, menos explicação e mais atmosfera, próxima da lógica do Cloud Dancer, que propõe menos estímulo e mais espaço para sentir. A pesquisa direta do Google comprova esse cenário ao destacar o maximalismo nostálgico, o artesanato, a alimentação consciente, a longevidade e a cultura dos pequenos prazeres como respostas práticas à vida contemporânea. Na moda, tudo isso se materializa no equilíbrio entre conforto e glamour, no minimalismo dos anos 80, no boho artesanal, nas rendas, transparências e acessórios expressivos.
Diante disso, o ponto central ao escolher uma tendência para a vida é compreender se você faz parte daquele movimento. Aplicar uma tendência é inserir na sua História algo que dialoga com quem você se tornou e com o que acredita. A estampa de onça, por exemplo, retorna todos os invernos porque carrega força, e sensualidade. Quem veste oncinha, veste também essa energia. O mesmo acontece com a camiseta preta básica, prática, quase automática, que funciona porque faz sentido na vida de quem valoriza funcionalidade e neutralidade.
No fim, o segredo não está em acumular referências, mas em saber comparar as tendências do presente e aplicá-las com consciência à própria identidade. É nesse encontro entre mundo e indivíduo que a tendência deixa de ser ruído e se transforma em linguagem.
Nem tudo precisa ser buscado. Às vezes, basta reconhecer.
Fonte: CAMPOS, A. Q.; WOLF, B. O conceito de tendência na moda. ModaPalavra, v. 11, n. 22, 2018.
GLOBO GENTE. Navegando entre as tendências 2026. 2026.;
