Caio Neiva em conversa.
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Caio Neiva é de Recife - PE, mas agora vive em Belo Horizonte - MG. Atualmente tem 33 anos e sempre foi artista, conheça mais na nossa entrevista.
ENCONTRO
Por meio do belíssimo encontro entre a arte de parede e arte de vestir, temos um novo cenário na loja, que fortalece “A Vida Inventada’’.
Quem é Caio Neiva?
É que enquanto eu escrevo uma resposta, já mudou de novo.
O que é um dia bom para você?
Um dia que eu acorde cedo, mas não tanto, trabalhe focado, coma gostoso, descubra um novo lugar por acidente, conheça alguém legal.
Quando a arte te encontrou?
Acho que na verdade eu nunca deixei desencontrar.
PROCESSO
Caio se identifica com muitas coisas, mas não acredita que nada o define, e talvez seja isso que o faça artista de si mesmo.
Antes do primeiro traço, pra onde você olha?
Pode ser para alguma coisa, para alguém, para uma foto. Ou só para o papel, mas a ideia na hora de fazer é só olhar para dentro mesmo.
Como uma obra sua nasce?
Difícil dizer. Porque ela pode surgir de uma forma, de uma cor, de uma ideia, de um sentimento, de um traço. Eu me deixo ser atingido por qualquer lado e sigo experimentando. De qualquer forma, uma obra que eu termine hoje, eu passei trinta e três anos fazendo.
Como a afetividade aparece na sua arte?
Acho que eu sou uma pessoa que se afeta fácil. E a sensibilidade é imprescindível para a arte. Eu adoro quando alguém se mostra impactado por algo meu, mas eu tento não considerar isso na minha criação.
Quais artistas e referências te movem?
A lista de artistas que já me influenciaram seria bem longa. A cada tanto tempo eu descubro a obra de algum artista que por algum motivo naquele momento me comove, e fico obcecado por aquilo por um tempo. E, consumo tudo que eu encontro sobre ele. Algumas dessas são paixões momentâneas, mas que depois você não consegue acessar mais aquele seu eu que se conecta tanto com aquilo naquele tempo. Outras têm um efeito menos passageiro e o interesse acaba aparecendo de alguma forma no seu trabalho tempos depois. Mas hoje, mesmo ainda bombardeado de imagens o tempo todo, na hora de criar eu tento ser minha própria referência na minha produção.
Como você chegou à sua identidade artística atual?
Acho que eu tenho algumas coisas que, sim, me identificam. Mas não acho que eu esteja mirando em uma identidade há algum tempo.
RESULTADO
Adoramos ter parte da sua obra em nossa composição. A arte e a moda dialogam entre si.
Recife e BH: dois mundos, como esse intercâmbio influenciou sua produção?
Acho que ainda não deu tempo para entender o efeito dessa mudança de cenário mas, tô feliz com o que eu venho criando aqui. :)
Quais são seus meios favoritos de trabalho?
Papel, tela e parede!
O que você traz para a Belicio?
Boa parte do meu traço, da minha gestualidade, vem da minha própria caligrafia. Meu traço carrega minha história. Para a Belicio levo desenhos minimalistas feitos quase sempre em uma só linha. Fruto do instante e do acaso. Um solo de trompete que vai sendo criado enquanto é tocado. O traço que corre nu transitando entre o que eu vejo, o que eu sei e o que eu sinto é um traço que narra. Também levo retratos que também nascem do gesto caligráfico mas, foram mais trabalhadas. Em cores, volumes e contrastes. O maior é um Caboclo de lança descansando, “O caboclo descansa”. O caboclo de lança é um personagem folclórico do maracatu de Pernambuco. Essa obra abre uma série de retratos desses caboclos em seus momentos de descanso. Um recorte mais aproximado do homem que nunca se separa totalmente do seu caboclo. A pessoa que carrega todo aquele peso, cores e mistério.
Como você enxerga o futuro?
A nível global? Não muito lindo. A pessoal? Eu trato de ser positivo. ;)
Venha apreciar a vida que agora também foi inventada - por Caio Neiva.
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